domingo, 17 de junho de 2012

NASSAU E SEUS



3 AMIGOS BRASILEIROS



Durante o seu período de administração do Brasil Holandês ( 1637 – 1644 ) , Nassau teve 3 destacados amigos luso – brasileiros : Gaspar Dias Ferreira , Frei Manuel Calado e João Fernandes Vieira .



Gaspar Dias Ferreira , foi  o primeiro português a morar efetivamente, com sua família, dentro das fortificações dos holandeses.



Ele  veio a se tornar, posteriormente, figura muito próxima ao conde de Nassau e servia de intermediário entre este e a  comunidade luso-brasileira .



Gaspar Dias Ferreira é tido   como sendo um espertalhão , e mau caráter . Ele  arrumava as mais variadas maneiras de enriquecer , apoderando – se  das fazendas dos moradores da Capitania . Persuadia os senhores de engenho e os lavradores de cana a darem de presente à Nassau caixas de açúcar , ficando o próprio Gaspar com a maior parte delas.

Frei Manuel Calado ( do Salvador ) ( 15841654), foi um religioso e escritor luso-brasileiro , autor de "O Valeroso Lucideno e o Triunfo da Liberdade na Restauração de Pernambuco" ( 1648 ) .




Frei Calado aproximou –se de Nassau , calvinista , quando

sua presença foi requerida por nobres portugueses católicos que foram ter com o conde , para que este concedesse licença para que ele   viesse assistí-los espiritualmente .

Nassau , diferente de muitos  outros flamengos ,tinha tolerância para com as  outras  religiões .  

Calado tornou-se figura habitual  na casa de Nassau  onde  eles jantavam e conversavam  em latim sobre diferentes

assuntos . Nassau, em segredo, o permitiu  frei   rezar missas em sua casa , desde que a portas fechadas. O relacionamento amistoso entre ambos durou até o retorno de Nassau para a Holanda .

João Fernandes Vieira ( c. 1610 ou 1613 – 1681 )  foi um dos principais chefes militares  nas lutas pela expulsão dos holandeses de Pernambuco

Vieira , fugiu da Ilha da Madeira onde nasceu ,  para o Brasil, especificamente para Pernambuco, em 1620, aos dez anos de idade,sozinho e por conta própria ,  onde mudou o nome de Francisco Ornellas para João Fernandes Vieira .



Quando chegou a Pernambuco, trabalhou como assalariado e foi auxiliar de um açougue ; em poucos anos tornou-se feitor-mor.
Ativo, ambicioso e inteligente, em 1639 , Vieira já era uma pessoa importante na sociedade portuguesa da  política Pernambuco .

Tornou –se um dos mais importantes senhores-de-engenho de Pernambuco, patrão de mais de 1.000 escravos, chegando a possuir 16 engenhos, localizados em Pernambuco e na Paraíba .

Pessoa de confiança de Maurício de Nassau  ,foi  seu colaborador e conselheiro em assuntos brasileiros . Vieira também tinha o apoio da comunidade luso-brasileira Gozando  assim da consideração de holandeses e luso – brasileiros .

Era também um dos maiores devedores da Companhia das Índias Ocidentais ; em 1642, sua dívida já era estimada em 219.854 florins.

Quando a insatisfação dos senhores - de - engenho de Pernambuco se intensificou, especialmente após a volta  do conde Maurício de Nassau para a Holanda, em 1644, e, percebendo as vantagens pessoais  com a expulsão dos holandeses , se afastou deles  e tornou-se um dos líderes da chamada “Insurreição Pernambucana”  e um dos heróis da “Restauração” .


D.ANA PAES ,

POR QUEM FOSTES ?



Anna Gonsalves Paes de Azevedo ( Ana Paes d’Altro ,Ana de Holanda , Ana Paes )  nasceu , provavelmente  em 1605 ou 1617, na Bahia filha de portugueses  ; seu pai era dono de um dos mais ricos e importantes engenhos da várzea do Capibaribe ( Engenho Casa Forte ).

Ana Paes é uma figura controversa ,devido à  sua maneira avançada para a época, suas atitudes em relação aos holandeses e sua conversão ao calvinismo. Ela  foi descrita  por muitos historiadores como uma mulher amoral e  dissoluta . Atualmente o julgamento é mais benévolo , avaliando – a   dentro de um contexto histórico e sentimental  considerando –a como uma impetuosa mulher jovem , carente de amor e ardentemente apaixonada .

Diz – se que Ana Paes era muito  formosa , de pele bem alva, fartos cabelos escuros , enormes olhos cor de violeta, alta e de postura elegante .

Aos 18 anos, Anna ficou viúva do capitão Pedro Correia da Silva, que tomou parte na defesa do forte São Jorge e morreu em virtude de ferimentos que recebeu durante os combates.


Como dote matrimonial tinha herdado o engenho Casa Forte .Após a morte do pai passou a administrar o engenho com competência , firmeza e determinação mantendo -o entre os dez mais produtivos  de Pernambuco.

Ana falava e escrevia além do português, o latim por ser a língua culta da época   e mais tarde , o alemão , graças ao seu convívio com os holandeses .

Foi educada na religião católica  de acordo com os princípios e costumes portugueses e vivia com sua mãe entre o engenho Casa Forte e uma casa situada na Rua Bom Jesus.

Apaixonou – se pela figura amável, sensível , inteligente e galante do príncipe de Nassau, mas o namoro não prosperou .

Depois ,  encontrou  André Vidal de Negreiros por quem teve uma irresistível paixão  , mas graças  a intrigas, separam-se.

Em seguida em 1637  abjura o catolicismo  e adota o protestantismo para contrair núpcias se  com o Chefe  da guarda pessoal de Nassau, Charles de Tourlon .

Enviuva pela segunda vez após a morte de Charles de Toulon ,  na Holanda .

Em 1645 no final da decisiva Batalha dos Guararpes   casa-se pela terceira vez com Gilbert de With ( Witt ) , com quem já vivia  ,  Conselheiro de Justiça do governo holandês .

Em 17 de agosto de 1645 , engenho de Ana Paes foi palco de um dos combates mais violentos da guerra contra os holandeses, que resultou na vitória das forças luso-brasileiras à custa de muitas vidas  de ambas as partes. Por conta do episódio, o engenho de Ana Paes acabou conhecido como a Casa Forte, que deu nome à batalha e ao bairro recifense .

Após a capitulação dos holandeses , por ser casada com um deles , foi considerada holandesa e como tal recebeu os benefícios  concedidas pelo Gal  Francisco Barreto de Meneses, no ato da rendição .

Em 1654 , tendo perdido todos os seus bens imóveis, embarca para Holanda na nau “Vos” ( “Raposa” ), na companhia do marido e dos dois filhos . Seu engenho  foi confiscado , colocado em leilão e arrematado em hasta pública .

Ana Paes morreu no dia 21 de dezembro de 1674, em Dondrecht, na Holanda, onde morava com sua família .




sábado, 16 de junho de 2012

UM BOI VOADOR

NOS CÉUS DO RECIFE



“Boi voador”  é o nome de um episódio real ocorrido na antiga Cidade Maurícia , atual Recife , no Estado de Pernambuco , à época do Brasil holandês ( 1630 – 1654 ) .

O fato pitoresco  é narrado por frei Manuel Calado no seu livro "O Valeroso Lucideno" ( 1648 ) , que dele foi testemunha ocular .

Em 25 de janeiro de 1641 foi feita uma licitação pública para a construção de uma   ponte que uniria  o Recife à Cidade Maurícia , na altura da atual ponte Maurício de Nassau .

Em até fins de 1643 ,  por várias razões , a ponte não tinha sido concluida , provocando reclamações oficiais do Conselho dos XIX e da população recifense .

Nassau resolveu então tomar a si a tarefa de terminá –  la  utilizando-se para isso de seus próprios recursos financeiros de modo que , num  doming , em  28 de fevereiro de 1644 , estava a ponte concluída , pronta  para ser inaugurada .

Segundo o relato do frei Manuel Calado , a fim de obter o maior número possível de transeutes  pagando pedágio na ponte , Nassau havia feito anunciar à população que “um boi iria voar” no dia de sua inauguração .

Para a festa   ,  foram convidados os membros do Supremo Conselho Holandês e a população em geral .

Nassau mandou abater e esfolar um boi, e encher-lhe  o couro com  capim e escondeu – o  no alto de uma galeria que tinha edificada no seu jardim. Pediu  emprestado um outro boi , e o fez subir ao alto da galeria e, depois de visto pelo grande número de pessoas presentes, mandou-o ocultá – lo  num recinto . Em seguida , mandou retirar  o  couro de boi cheio de palha, e o fizeram vir voando por meio de umas cordas e roldanas , para grande admiração e espanto de de todos .

Tanta gente atravessou aquela  ponte que , naquela tarde , o pedágio rendeu mil e oitocentos florins .


“COROGRAFIA BRASÍLICA” –

O 1º LIVRO EDITADO

NO BRASIL



Manuel Aires de Casal , popularmente conhecido como Padre Aires de Casal (1754 - 1821) , foi um sacerdote , escritor , ensaista , memorialista , geógrafo e historiador português  que viveu  Brasil .

Após concluir os estudos primários em sua terra natal , cursou Teologia e Filosofia , tomando as ordens religiosas .

Aos 42 anos veio ao  Brasil onde atuou  como   Capelão da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (1796) e presbítero secular do Crato, na então Província do Ceará, em 1815.

Viajou intensamente pelo Brasil Leste e Central,coletando material e adquirindo informações  para elaboração de sua principal obra que seria dedicada a D.João VI .



Aires de Casal foi  autor de um trabalho científico  intitulado “Corografia Brasílica ou “Relação Histórica e Geográfica do Reino do Brasil” (1817 ) .



Corografia (do grego χῶρος khōros; "lugar" + γράφειν graphein, "descrever", ", pelo latim chorographĭa)  significa a descrição histórico-geográfica de um lugar , região ou país .

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Dividido em dois volumes, a Corografia fazia uma descrição minuciosa de todo o país, relacionando cada Província e as vilas nela existentes .



A “Corografia” de Casal   se tornou histórica, entre outros motivos , além do seu valor intrínseco , por ter sido o 1º livro editado no Brasil ( Rio de Janeiro ) ,   e por ser a 1ª a transcrever, impressa, a Carta de Pero Vaz de Caminha.

Em 1821 , Aires de Casal retornou a Portugal com a Família  Real  Portuguesa , onde veio a falecer no mesmo ano.


ESCHWEGE , PIONEIRO

DA MINERALOGIA

DO BRASIL



Wilhelm Ludwig von Eschwege  ( 1777 — 1855 ) também conhecido como  Barão de Eschwege,  foi um militar , geólogo , geógrafo e metalurgista alemão que   desempenhou um  importante e pioneiro  papel no desenvolvimento das ciências geológicas no Brasil.

Em 1802 , Eschwege foi para Portugal  a convite do governo  e acompanhou D. João  VI ao Brasil em 1807.


No Brasil , foi designado para acompanhar a mineração de ouro e a fabricação de ferro em Minas Gerais , explorar ouro  na mina da Passagem , e chumbo, em Abaeté. Em 1813 construiu uma fundição de ferro em Congonhas do Campo (MG) .


Sua principal publicação foi Pluto Brasiliensis(1833) cujo título em latim  significa “A Riqueza Brasileira , em que descreveu a mineração na época colonial .

O longo  subtítulo da obra , diz : “ Memória sobre as riquezas do Brasil em ouro, diamantes e outros minerais; história da descoberta e descrição das ocorrências desses minerais; exploração das jazidas e sua técnica; produção e legislação das minas ”.

Graças aos  estudos de Eschwege , foi estabelecida uma nova legislação para a mineração brasileira e foram adotados métodos mais avançados de metalurgia do ferro ,  de exploração das jazidas de ouro  e de outros minerais .Parte superior do formulário

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AMBRÓSIO FERNANDES

BRANDÃO E “DIÁLOGOS

DAS GRANDEZAS DO BRASIL”





Ambrósio  Fernandes Brandão ( c.1560 – c. 1630 ) foi um português que , após ter – se fixado no Brasil , tornou  se   cronista e senhor de engenho no Nordeste .

Brandão  residiu em Lisboa, entre 1607 e 1618, época em que foi acusado da prática de judaísmo . Não há informação  de que tenha sido processado pela Inquisição porém, após a denúncia, ele viajou para o Brasil, onde viveu durante 25 anos, primeiro em Olinda (de 1583 a 1597), depois na Paraíba (de 1607 a 1618) , como senhor de engenho chagando a ter 3 engenhos na várzea do rio Paraíba .

Uma vez no Brasil  , Brandão  teria participado das   lutas contra os índios e franceses e teria integrado  a expedição chefiada por Martim Leitão e João Tavares ,  que resultou na Conquista da Paraíba .

Era médico, o que lhe provavelmente permitiu – lhe  tornar-se o precursor da medicina tropical , ulteriormente  desenvolvida pelo holandês Piso à base de plantas e ervas medicinais .



Em 1618 , concluiu a obra "Diálogo das Grandezas do Brasil"  considerada como  um dos mais importantes textos do século XVII sobre o Brasil e uma  das melhores fontes para conhecimento da sociedade colonial nordestina  

O primeiro manuscrito desse livro foi descoberto por Francisco  Adolfo de Varnhagen , na Biblioteca Nacional de Portugal  , na segunda metade do Século XIX .


 

ROCHA PITA  E  A


“HISTÓRIA DA AMÉRICA


PORTUGUESA”


 


A História da América Portuguesa é uma obra de Sebastião da Rocha Pita , publicada  em 1730. Foi a primeira História do Brasil a ser publicada, uma vez que, não obstante  ser a segunda a ser escrita, a primeira, de autoria de Frei Vicente do Salvador, um século antes, permaneceu manuscrita e inédita ,  apenas vindo a ser publicada no século XIX .

Sebastião da Rocha Pita ( 1660 - 1738 ) foi um advogado, historiador , poeta baiano  e um dos primeiros estudiosos da História do Brasil . Ele é considerado como o “pai da História do Brasil” por alguns estudiosos .


Rocha Pitta  nasceu em Salvador ( Bahia), formou -se no Colégio dos Jesuítas e, mais tarde, seguiu para Portugal, onde se diplomou  pela Universidade de Coimbra. Ao regressar ao Brasil  dedicou -se à agricultura canavieira e às letras. Consagrou  grande parte de seus estudos  a minuciosas pesquisas de documentos  nos   arquivos das ordens religiosas de São Vicente (SP), Bahia , Rio de Janeiro e Lisboa .

Sua principal obra, “História da América Portuguesa, Desde o Ano de 1500 do seu Descobrimento , até 1724” publicada em 1730, em Lisboa , mescla  a narrativa descritiva   do ambiente natural , e das riquezas da terra com a crônica histórica.


A obra  encontra-se dividida em 10 partes , constituindo-se numa crônica administrativa do Brasil  sobre os séculos iniciais da colonização.

Entre os outros vários trabalhos literários de Rocha Pitta estão : Volume de Poesia, Elogios Fúnebres , Oratórios e Poéticos.